Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças 12.08.15

Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças 12.08.15

O NPPcri na abertura de suas atividades do 2o semestre de 2015, entregou para uma conversação prévia, com os responsáveis e participantes, o relatório que preparou para as XIX Jornadas da EBP-MG – O que quer a mãe, hoje. A questão endereçada pela coordenadora da Jornada, Cristina Drummond, para ser trabalhada pelo NPPcri é: Quais os impasses para a criança inscrever-se no Outro hoje?

Os leitores do Portal Minas com Lacan e inscritos na Jornada poderão ler esse relatório no Curinga n.40 e contribuir tomando a palavra na conversação, por ocasião de nossas Jornadas nos dias 30 e 31 de outubro. Vocês encontrarão elementos para discernir a maternidade da feminilidade e, a partir dos avanços no ensino de Lacan sobre a sexualidade feminina, acompanhar os avanços em relação à maternidade: de uma resposta fálica à falta-a-ter à uma solução para o gozo, ou seja, à falta-a-ser. Ser mãe é, por um lado, deparar-se com a castração, com a separação, e, por outro, é uma suplência ao gozo não-todo fálico, à inexistência d’A mulher.

Lacan passa assim a abordar a posição da criança não mais enquanto ideal, “a majestade o bebê”, mas ela é apreendida como objeto (a) na fantasia materna. A inscrição da criança no Outro, seja como falo, seja como objeto (a), consiste em um modo de localizar o gozo. Nesse encontro preparatório no NPPcri pudemos apreender o quanto a maternidade pode ser uma solução encontrada por algumas mulheres ao ilimitado do gozo feminino, o filho faria uma borda a esse gozo. A criança divide o sujeito entre mãe / mulher. É por experimentar uma divisão no gozo que uma mulher é não toda mãe e não toda mulher.

Algumas questões e impasses surgem para a inscrição da criança enquanto sujeito quando estamos diante de um universal: Toda mãe e Toda mulher.
Verificamos também como algo do gozo feminino, não limitado pelo falo, transita entre a mãe e a criança e, por fazer semblante de objeto a, a criança pode ficar aprisionada e realizar a presença desse objeto dando-lhe existência ― um dejeto do gozo ―, não alcançando dessa forma o valor fálico de uma inscrição no desejo materno.

Contamos com a leitura e participação de cada um!

Vejam no relatório os impasses que esse gozo que transita entre a mãe e a criança – muitas vezes invasivo e mesmo mortífero -, pode acarretar para a criança inscrever-se no Outro. O relatório aborda o infanticídio, o autismo e a psicose, casos em que podemos verificar a incidência desse gozo. Mas tragam, junto com cada um, sua leitura, suas questões e sua experiência clínica para conversarmos e estarmos à altura das questões que as mães e suas crianças nos colocam.

Cristiana Pittella de Mattos