Sobre o Seminário “A supervisão: efeitos de formação"

Sobre o Seminário “A supervisão: efeitos de formação”

No último dia 31 de agosto o seminário “A supervisão: efeitos de formação”, coordenado por Elisa Alvarenga recebeu as psicanalistas Ana Lydia Santiago e Ilka Ferrari para a discussão sobre a supervisão da psicanálise em extensão, ou seja, uma supervisão dirigida à cidade com efeitos de formação em seus operadores. A proposta, segundo Alvarenga, é localizar o que a psicanálise pode recolher sobre o real em jogo aí que permita ao discurso analítico avançar em sua presença no mundo.

Ana Lydia trouxe a sua experiência como criadora e supervisora de uma metodologia de conversação de orientação psicanalítica que opera como pesquisa-intervenção em algumas escolas municipais de Minas Gerais. Segundo a psicanalista, a supervisão da equipe que anima a conversação ocorre sempre após a cada encontro e equivale a uma crítica, a uma avaliação da própria metodologia. Ana Lydia animou a conversação durante o seminário apresentando uma crônica escrita por uma integrante de sua equipe que ilustrou de maneira clara e divertida a função e os efeitos da supervisão no trabalho de conversação.

Já Ilka Ferrari apresentou a síntese de duas pesquisas sobre “O que a psicanálise tem a dizer sobre mães e filhos encarcerados” realizada em 2012, no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade em Vespasiano, e uma segunda, ainda em andamento, sobre “Os laços sociais de crianças após o cárcere”. Destacou a presença da supervisão em dois momentos: o primeiro como supervisanda da metodologia de conversação proposta por Ana Lydia Santiago e a segunda como supervisora dos pesquisadores que vão a campo.

Como nos lembrou Elisa Alvarenga, retomando a orientação de Jacques-Alain Miller para sustentar a psicanálise em extensão, é preciso tratar a relação do discurso da psicanálise e do discurso do mestre, ou seja, saber quem é o mestre para nos posicionarmos diante dele. Neste sentido, na fala de Ana Lydia destacamos que se trata da produção de saber a partir do parceiro sintoma na contemporaneidade, localizando a alienação do sujeito no discurso do Outro que impossibilita a inserção de um ponto singular no universal da aprendizagem.

Ilka Ferrari nos transmitiu que criar um Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade é uma resposta ao mal-estar causado pelo sistema prisional e comporta o ideal de políticas públicas para a mulher e para a criança. Parece-nos que o efeito surpresa que fez surgir o encontro da psicanálise com a cidade tanto nos operadores e a aposta que também ocorra nas instituições envolvidas, é de uma desidealização do lugar da relação entre a mãe e a criança, ao colocar em primeiro plano as particularidades de cada caso e a importância da construção pela criança de uma ficção, que é sempre singular, sobre o seu enredo familiar.

Os dois trabalhos propiciaram uma discussão imprescindível para avançarmos na localização sobre o lugar que é preciso estarmos para sustentar o saber do psicanalista na psicanálise em extensão.

Por Mariana Vidigal