Abertura XXI Jornada da EBP-MG

Abertura XXI Jornada da EBP-MG

ABERTURA DA XXI JORNADA DA EBP-MG

Ludmilla Féres de Faria

Desde Freud a clínica é a grande bússola da psicanálise. Por isso ele destaca que devemos tomar cada caso como se fosse o primeiro, para daí extrair uma prática.   Nessa perspectiva cada ato clínico nos reenvia a uma posição teórica. São os impasses clínicos que levam à busca por outros autores, à afinação dos nossos conceitos e à  elaboração do que pode-se extrair dessa prática. Podemos afirmar que o modo como o analista opera depende da teoria que orienta a sua prática.

Foi nessa perspectiva que construímos o programa de trabalho da XXI JORNADA DA EBPMG. A intenção é privilegiar os impasses e as soluções que cada praticante pode recolher, na experiência de condução de um tratamento, quando se impõem à pergunta sobre a diferença sexual e o inconsciente.

Nessa direção traçamos um programa de pesquisa que se iniciou em março de 2017, com a apresentação de cinco Seminários preparatórios. Agradeço aos colegas Jésus Santigo, Elisa Alvarenga, Maria José Gontijo Salum, Débora Matoso, Lucíola de Freitas, Fernanda Costa, Sérgio Laia, Ana Lydia Santiago e Bernardo Carneiro, que incumbiram-se de dar partida à nossa investigação, a partir de frases paradigmáticas de Jacques Lacan sobre o Inconsciente e a diferença sexual, escolhidas pela Comissão de Orientação. E ainda aos debatedores: Helenice de Castro, Rachel Botrel, Simone Souto e Antônio Beneti, que naqueles momentos fizeram circular a palavra e tornaram viva a nossa discussão.

Na interseção entre a clínica e a cena pública compusemos, em muitas mãos, nosso Boletim, L’incs. Foram seis números cuidadosamente escritos e coloridos por uma comissão de analistas praticantes, que encontrou naquele espaço uma forma de fazer circular o que extraíamos dos encontros da Comissão de Conexões, que aconteceram nas faculdades, nos serviços públicos e da leitura dos filmes no espaço de Psicanálise e cinema. Vários colegas foram entrevistados, artistas cederam suas obras e cada boletim chegava sempre trazendo um olhar novo.

Ao final desse percurso recebemos os trabalhos que compõem nossa Jornada Clínica. Foram ao todo 65 contribuições e um grande número delas gira em torno de impasses enfrentados na clínica, no que toca a diferença sexual. Outros textos abordam a incidência do apagamento da diferença nos corpos, na cidade e na politica. Agradeço, em nome da Coordenação da Jornada, a cada um dos que enviaram. Aproveito para agradecer aos colegas da comissão de Orientação pela leitura cuidadosa desses trabalhos, assim como por importantes questões levantadas e pelos debates que foram gerados.

Durante a Jornada clínica teremos a apresentação dos flashes e agradeço aos colegas Antônio Teixeira, Henri Kaufmanner, Lilany Pacheco, Lucíola Freitas e Sérgio de Castro, que aceitaram prontamente o desafio de trazer essa fagulha: uma articulação entre  o tema da sala e a obra de arte ali presente. Com esse clarão prosseguiremos nossa trilha de trabalho, que desaguará na leitura do que se apresenta em cada sala, feita pelos AMEs Antônio Benetti, Cristina Drumond, Luiz Henrique Vidigal, Simone Souto e Ram Mandil, a quem também agradeço.

A mesa do passe, coordenada por Ana Lydia Santiago, tendo comentários de Elisa Alvarenga e Luiz Fernando Carrijo, será um momento fértil para escutarmos qual o destino o parlêtre pode dar ao incurável de seu sinthoma, a partir do depoimento de Sérgio Laia e Maria Josefina Sota Fuentes. Ambos apontam qual foi a maneira que cada um encontrou, para tratar o real, ao atravessar de ponta a ponta a experiência analítica e chegar a um ponto de basta.

Deixarei ainda para o final do segundo dia meus maiores agradecimentos, são muitos. Assim temos a garantia de que não teremos muitas emoções nesse momento de iniciar. E ainda, o momento de concluir exige que não haja vacilação, a condição para sair é não olhar para trás. Portanto, ainda não é agora.  Quero olhar para trás apenas para lembrar que foi com muita alegria, mas também com muita apreensão que aceitei de pronto o convite da diretora da Seção Minas, Fernanda Otoni-Brisset, para coordenar a XXI Jornada, com Jésus Santiago. Fernanda me disse que se tratava de um trabalho do qual podíamos extrair diversas consequências tanto no campo epistêmico e clínico, como no campo político.  De fato, foi um ano turbulento, entre leituras e discussões, almoços, lanches e vinhos falávamos, inventávamos, trabalhávamos e criávamos milhares de grupos de wz. Nunca mais terei tantos. Contei com parcerias fundamentais, que não vou aqui nomear. Cada um sabe a forma decidida como topou comigo e com os colegas levar avante esse trabalho.

Nesse um ano algo perdurou: a alegria com que fizemos isso, mesmo no meio dos impasses e das indefinições. Agradeço, portanto a diretoria da Seção Minas pelo convite, a Jésus Santiago pela parceria, aos meus colegas das comissões: Cristiana de Freitas Grilo, Jésus Santiago, Lilany Pacheco, Paula Pimenta, Rachel Botrel e Sérgio de Mattos  pela prontidão e decisão no trabalho. E, em especial, agradeço a Fernanda Otoni-Brisset. Com delicada decisão, ela me mostrou que quando algo nos transmite alegria e lança-nos a trabalhar, pode estar certo que não estamos trabalhando para o Outro. Nossa Jornada foi feita de muito trabalho, mas um trabalho onde cada um pode encontrar algo de seu, o que possibilitou a construção de um laço maior entre nós, a partir de uma parceria que se deu com essa alegria.