Apresentação de Pacientes

2º semestre de 2018

Medicina 3

Brouillet, Andre. Charcot demonstrating hysteria at La Salpêtrière, 1887

A Apresentação de Pacientes é uma prática que foi mantida por muito tempo por psiquiatras sobretudo para investigação do diagnóstico e do prognóstico de casos considerados “difíceis”, “raros” ou “paradigmáticos”, evocando, assim, o que a clínica médica não psiquiátrica ainda designa como “corrida de leito”. No âmbito da psicanálise, essa prática foi renovada por Jacques Lacan, ao longo de seu ensino. Por sua vez, Jacques-Alain Miller (1) ressalta-nos algumas proposições com base em sua participação nas apresentações de pacientes realizadas por Lacan:

A) Quem assiste a uma tal prática fica em silêncio e forma uma espécie de doxa, de “opinião pública” com relação ao que se passa entre o paciente e aquele que o entrevista: espera-se que, depois, possa ser esclarecido um diagnóstico, orientado um tratamento cuja complexidade ou dificuldade justificou o encaminhamento do paciente a tal Apresentação.

B) Ainda que o diagnóstico possa ser “determinado nos termos mais clássicos, alguma coisa sempre permanece em suspenso quanto ao sentido”, podendo-nos orientar, por exemplo, quanto à dimensão real e incurável de um sintoma, de uma problemática subjetiva ou institucional, de um impasse concernente ao laço social, etc.

C) Ao promover e enfatizar, quanto ao paciente, o acesso à palavra, a apresentação resgata-lhe a função de sujeito que fala e, além de contribuir para seu tratamento, pode ajudar àqueles que trabalham com ele a esclarecer como sintomas e dificuldades de inserção não deixam de ser “saídas” que alguém pode paradoxalmente encontrar para seus impasses.

D) Ao “buscar a certeza” em jogo no que um paciente diz ao ser entrevistado, procura-se cingir sua relação com o saber e com o Outro, sua economia libidinal, enfim, seu modo de vida, para que essa elucidação possa orientar o prognóstico clínico de seu caso.

Na Seção Clínica do IPSM-MG, nem sempre essas atividades comuns a todos os Núcleos de Pesquisa serão realizadas com usuários de serviços de Saúde Mental. Respeitadas as particularidades que essa diferença impõe e orientados pelo estilo proposto por Lacan para sua “Apresentação de Paciente”, temos as Entrevistas de Orientação Psicanalítica, com as quais podemos ampliar o alcance desse dispositivo, para um campo situado fora da abrangência de um serviço de saúde, mas que pode também beneficiar-se da ação lacaniana.

(1) MILLER, J.-A. Lições sobre a apresentação de doentes. In: ______. Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. p.138-149.

Para saber mais:
LACAN, Jacques. Uma psicose lacaniana: entrevista conduzida por Jacques Lacan. In: Opção Lacaniana n.26/27. São Paulo: Edições Eólia, abril/2000. p.5-16.

MILLER, J.-A. Lições sobre a apresentação de doentes. In: ______. Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. p.138-149.

 AGENDA 2º SEMESTRE 2018 

 

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO E PESQUISA EM PSICANÁLISE E MEDICINA

SETEMBRO. dia 14. sexta

Entrevistador: Henri Kaufmanner

Local: Escola de Medicina

Horário: 12h

 

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO E PESQUISA PSICANALÍTICA NAS TOXICOMANIAS E NO ALCOOLISMO – TyA

SETEMBRO. dia 19. quarta

Entrevistador: Jésus Santiago

Local: Centro Mineiro de Toxicomania

Horário: 10:00 às 12:00h

 

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO EM PSICANÁLISE E DIREITO

OUTUBRO. dia 05. sexta

Apresentação de pacientes no Instituto Raul Soares

Entrevistadora: Ana Lydia Santiago

 

NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICANÁLISE COM CRIANÇAS

OUTUBRO. dia 24. quarta

Entrevistadora: Cristina Drummond

Local: Rua Padre Marinho, 150 – Santa Efigênia, Belo Horizonte

Horário: 10:00 – 12:00h

 

NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICOSE

OUTUBRO. dia 26. sexta

Entrevistador: Wellerson Alkmim

Local: a definir

Horário: 10:00 às 12:00h

 

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO EM PSICANÁLISE E SAÚDE MENTAL

DEZEMBRO. dia 07. terça

Entrevistadora: Maria Helena Gonçalves Fonseca

Horário e local: a serem confirmados