Apresentação de Pacientes

2º semestre de 2017

Medicina 3

Brouillet, Andre. Charcot demonstrating hysteria at La Salpêtrière, 1887

A Apresentação de Pacientes é uma prática que foi mantida por muito tempo por psiquiatras sobretudo para investigação do diagnóstico e do prognóstico de casos considerados “difíceis”, “raros” ou “paradigmáticos”, evocando, assim, o que a clínica médica não psiquiátrica ainda designa como “corrida de leito”. No âmbito da psicanálise, essa prática foi renovada por Jacques Lacan, ao longo de seu ensino. Por sua vez, Jacques-Alain Miller (1) ressalta-nos algumas proposições com base em sua participação nas apresentações de pacientes realizadas por Lacan:

A) Quem assiste a uma tal prática fica em silêncio e forma uma espécie de doxa, de “opinião pública” com relação ao que se passa entre o paciente e aquele que o entrevista: espera-se que, depois, possa ser esclarecido um diagnóstico, orientado um tratamento cuja complexidade ou dificuldade justificou o encaminhamento do paciente a tal Apresentação.

B) Ainda que o diagnóstico possa ser “determinado nos termos mais clássicos, alguma coisa sempre permanece em suspenso quanto ao sentido”, podendo-nos orientar, por exemplo, quanto à dimensão real e incurável de um sintoma, de uma problemática subjetiva ou institucional, de um impasse concernente ao laço social, etc.

C) Ao promover e enfatizar, quanto ao paciente, o acesso à palavra, a apresentação resgata-lhe a função de sujeito que fala e, além de contribuir para seu tratamento, pode ajudar àqueles que trabalham com ele a esclarecer como sintomas e dificuldades de inserção não deixam de ser “saídas” que alguém pode paradoxalmente encontrar para seus impasses.

D) Ao “buscar a certeza” em jogo no que um paciente diz ao ser entrevistado, procura-se cingir sua relação com o saber e com o Outro, sua economia libidinal, enfim, seu modo de vida, para que essa elucidação possa orientar o prognóstico clínico de seu caso.

Na Seção Clínica do IPSM-MG, nem sempre essas atividades comuns a todos os Núcleos de Pesquisa serão realizadas com usuários de serviços de Saúde Mental. Respeitadas as particularidades que essa diferença impõe e orientados pelo estilo proposto por Lacan para sua “Apresentação de Paciente”, temos as Entrevistas de Orientação Psicanalítica, com as quais podemos ampliar o alcance desse dispositivo, para um campo situado fora da abrangência de um serviço de saúde, mas que pode também beneficiar-se da ação lacaniana.

(1) MILLER, J.-A. Lições sobre a apresentação de doentes. In: ______. Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. p.138-149.

Para saber mais:
LACAN, Jacques. Uma psicose lacaniana: entrevista conduzida por Jacques Lacan. In: Opção Lacaniana n.26/27. São Paulo: Edições Eólia, abril/2000. p.5-16.

MILLER, J.-A. Lições sobre a apresentação de doentes. In: ______. Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. p.138-149.

 AGENDA 2º SEMESTRE 2017

Agosto. dia 09. quarta

Núcleo de Investigação e Pesquisa Psicanalítica nas Toxicomanias e no Alcoolismo – TyA

Entrevistador: Jésus Santiago

Horário: 10.30 horas.

Local: Centro Mineiro de Toxicomania

 

Outubro. dia 04. quarta

Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças

Entrevistadora: Cristina Drummond

Horário: a confirmar

Local: Centro Psíquico da Adolescência e da Infância – CEPAI/FHEMIG

 

Outubro. dia 20. sexta

Núcleo de Pesquisa em Psicose

Entrevistador: Wellerson Alkmim

Local e horário: a confimar.

 

Outubro, dia 20. Sexta

Núcleo de Investigação e Pesquisa em Psicanálise e Medicina

Entrevistadora: Elisa Alvarenga

Responsável: Ana Maria Lopes

Local e horário: a confirmar.

 

Observação: todas as Apresentações de Pacientes são atividades restritas aos profissionais inscritos.