Núcleo de Investigação e Pesquisa em Psicanálise e Saúde Mental

foto

Nave dos Loucos. Hieronymus Bosch (1450 -1516).

 

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO EM PSICANÁLISE E SAÚDE MENTAL

1º semestre de 2018

 

Coordenação: Jeannine Narciso

Coordenação adjunta: Andréa Guisoli Mendonça

 

Local >Fadenor \ Unimontes

20H às 21h45

 

UMA NOVA ESCRITA DO SINTOMA

No mundo comtemporâneo, na passagem ao capitalismo globalizado, onde as mercadorias foram feticizadas, o Ideal do eu empalideceu diante da elevação do objeto a ao zênite social, manifestando a queda do falocentrismo. Neste tempo, no qual a sociedade está fragmentada em diversos laços sociais, o que Lacan vai nos propor  é “um novo regime de laço social, a partir da fantasia e do gozo, e não mais a partir da identificação” (LAURENT, 2017).

Portanto, há uma nova escrita do sintoma. O sintoma que na concepção de  Freud estava ligado ao sentido, “transforma-se em sinthoma, fora de sentido.”². Assim, em seu último ensino Lacan define o sintoma, tomado em sua consistência de gozo, de cunho “autista”, um acontecimento de corpo, não enlaçado à estrutura, “nem ao inconsciente mensagem”³(LAURENT, 2016).

Na perspectiva da clínica, a psicanálise permite levar em conta o real, situando o lugar de enodamento dos fenômenos sociais de nosso tempo, articulando-os ao declínio da função fálica e recolhendo os restos que deles se depreendem. Se antes, as construções sociais sustentavam todo um imaginário de cada coisa em seu lugar, agora vacilam, pois o empuxo ao Um se traduz sobre o plano político pela democracia a todo custo: o direito de cada um a seu próprio gozo (MILLER, 2011).

Neste momento, o gozo  de forma direta, sem  submissão à castração e à constituição de ideais, forclui o Nome-do-Pai – que será um sintoma entre outros. (BROUSSE, 2014). É dito que ocorre uma feminilização do mundo.  As novas formas de gozo conduzem o psicanalista a uma reflexão sobre um além do Édipo. O poder não está mais articulado ao falo. Assim, no horizonte do possível, o falasser fará alguma coisa com o impossível de escrever da relação sexual e  cingirá o seu próprio sinthoma, para manter o real, o simbólico e o imaginário enodados.

Referências:

BROUSSE, M.H. A psicose ordinária  à luz da teoria lacaniana do discurso. In: Os corpos Falantes e a Normatividade do Supersocial, p.260-280. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2014.

LAURENT,  E. O gozo e o corpo social. In: Correio, São Paulo: Escola Brasileira de Psicanálise, n.80, p. 14, ab. 2017.

² ³Idem – O que faz sintoma para um corpo – O avesso da Biopolítica, Rio de Janeiro: Contra Capa, p. 43-64, 2016.

MILLER, J.A. Acción lacaniana. In: Un esfuerzo de poesía, p.159-171. Buenos Aires: Editora Paidós, 2016.

MILLER, J.A.   As Profecias de Lacan [18/08/2011]. Paris: O diário Le Point. Entrevista concedida a Christophe Labbé e Olivia Recasens.

 

Março – dia 13- terça

SEMINÁRIO TEÓRICO: CIÊNCIA, PSICANÁLISE E UM SIGNIFICANTE NOVO: GÊNERO

Jeannine Narciso

Abril – dia 17 – terça

SEMINÁRIO CLÍNICO: UMA RESPOSTA DO AUTISTA AO REAL

Sílvia Reis Soares

Comentário: Rachel Botrel

Maio – dia 15 – terça

SEMINÁRIO TEÓRICO: VIOLÊNCIA E SEGREGAÇÃO NA ESCOLA

Ana Lydia Santiago

Junho – dia 26 – terça

APRESENTAÇÃO DE CASO CLÍNICO: JUDICIALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES-AS INTERDIÇÕES FUNCIONAM MAL

Apresentação: Aparecida Rosângela Silveira

Comentário: Fernando Casula

Julho – dia 07 – sábado

APRESENTAÇÃO DE PACIENTE

Entrevistadoras: Jeannine Narciso e Maria Helena Gonçalves Fonseca

Horário e local: a serem confirmados

INSCRIÇÕES –  Por e-mail com:

Christine Athayde – christineathaydenipsm@gmail.com

Andréa  Guisoli – andreaguisoli@gmail.com