Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças

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NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICANÁLISE COM CRIANÇAS

2º semestre de 2017

Coordenação: Margaret Pires do Couto

Coordenação adjunta: Ana Maria Lopes

Local: Sede do IPSMMG às 20h30

EMENTA:

Historicamente encontramos uma resistência ao reconhecimento do sofrimento mental na criança. Até 1880 a clínica psiquiátrica considerava como único transtorno mental infantil o retardo mental. A loucura na criança ora era reduzida a um problema de origem orgânica e cognitiva, ora incluída na categoria de distúrbio de comportamento sob a forma de delinquência juvenil.

Foi somente em 1930 que vimos surgir uma clínica da criança, encontrando na esquizofrenia infantil e no autismo os dois tipos clínicos mais pesquisados na psiquiatria infantil.

Ainda prevalece, em diferentes setores do campo da saúde, a dificuldade do reconhecimento da loucura na infância. O sofrimento infantil permanece prisioneiro das leituras “medicalizantes” e reduzido aos transtornos os mais variados.  Os efeitos dessas leituras são as intervenções ortopédicas e higienistas que encaminham as crianças para o campo da educação especial, práticas de reeducação ou para o campo jurídico.

A psicanálise de orientação lacaniana, a partir da década de 1960, ao construir o conceito de objeto a contribuiu decisivamente para a clínica da criança psicótica.  Lacan demonstrará como o psicótico, independentemente de sua idade, ocupa o lugar de objeto. O estatuto da criança objeto condensador de gozo do Outro, incluída excessivamente na fantasia materna é uma referência essencial para se pensar a criança psicótica.

A especificidade dessa clínica com a criança psicótica implica que avencemos em direção às novas formulações sobre o Outro, sobre o sujeito do gozo para além de suas coordenadas significantes e o corpo a partir de uma clínica orientada para o real. Nesse sentido, tanto a clínica do autismo como a teorização contemporânea da psicose ordinária, que recoloca o corpo em primeiro plano, nos guiam na investigação de como nas psicoses infantis a prevalência dos distúrbios corporais seria uma resposta da deslocalização do gozo.

Assim, movidos pelo tema do XI Congresso da Associação Mundial de Psicanálise que ocorrerá em 2018 “As psicoses ordinárias e as outras sob transferência” e o tema de investigação proposto pela Nova Rede Cereda “A criança violenta”, nos dedicaremos, nesse segundo semestre, em nosso Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças, a investigar as psicoses na infância, seus distintos modos de manifestação, suas aproximações e distanciamentos com o autismo e os efeitos que o encontro com o analista   produz na invenção de soluções singulares para cada falasser.

 

PROGRAMAÇÃO: 

 

AGOSTO .  dia 09.  quarta

Seminário Teórico:  As psicoses na infância sob transferência

Margaret Couto e Cristina Drummond

 

AGOSTO  . dia 23. quarta

Seminário Teórico: Operações com o S1 no autismo e na psicose

Cristina Vidigal e Inês Seabra

 

SETEMBRO . dia 06. quarta

Seminário Teórico-Clínico: A que respondem os atos violentos de crianças e adolescentes na psicose e no autismo?

Patrícia Ribeiro e Tereza Facury

 

SETEMBRO .  dia 27. quarta

Seminário clínico com  apresentação de caso clínico da rede de saúde mental da PBH: A pulsão de morte e a destruição no autismo

Cláudia Messias

Comentário: Paula Pimenta

 

OUTUBRO.  dia 04.  quarta

Seminário Clínico: Autismo e o objeto voz

Rogério Paulino

Comentário: Cristiane Barreto

 

OUTUBRO. DIA 04. quarta

Apresentação de paciente

Entrevistadora: Cristina Drummond

Horário: a confirmar

Local: Centro Psíquico da Adolescência e da Infância – CEPAI

 

OUTUBRO.  dia 18. quarta

Seminário Teórico: A diferença entre o autismo e a psicose

Lúcia Mello e Suzana Barroso

 

NOVEMBRO . dia 08. quarta

Seminário clínico: A dor de existir sob transferência

Andréa Eulálio

Comentário: Cristiana Pittella

 

NOVEMBRO.  dia 22.  Quarta

Seminário teórico:  13 Reasons Why e a passagem ao ato

Ana Maria Lopes e Aparecida Farage