Núcleo de Pesquisa em Psicose

Nucleo psicose

Sem Título / obra Coletiva / Acrílica sobre Cartão. Centro de Convivência Barreiro / 2012.

NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICOSE

2º semestre de 2018

Coordenação: Graciela Bessa

Coordenação adjunta: Fernando Casula

Local: Sede do IPSMMG

Horário 10:00 às 12:00

Notícias do Núcleo de pesquisa em psicose

O Núcleo de Psicose iniciou suas atividades em 17 de agosto na sede do IPSM-MG com o Seminário teórico “O corpo e o olhar” proferido por Graciela Bessa. A pesquisa desse semestre dará continuidade à investigação sobre o olhar e o estatuto da vergonha na psicose, a vergonha como um afeto primário.

Graciela relembra que a experiência analítica revela que o corpo não é um dado primário, o ser vivente não é idêntico ao corpo. Para que haja corpo – no sentido de se constituir como experiência subjetiva – é preciso a intervenção de uma determinada imagem corporal que se acrescenta ao organismo vivo. Quando o simbólico opera corretamente a criança encontra no campo visual do espelho uma imagem significantizada, um corpo imaginário, que irá abrigar o eu e suas identificações.

Apoiada principalmente nos textos de Marie-Hélène Brousse, Corpos lacanianos: novidades contemporâneas sobre o Estádio do Espelho e de Gustavo Dessal, Sobre el estádio del espejo en diferentes momentos de la enseñanza de Lacan, Graciela expõe as maneiras como a unidade corporal puderam ser concebidas nos diferentes momentos do ensino de Lacan, em ressonância a uma releitura das bases conceituais do estádio do espelho. Na primeira elaboração, entre 1948 a 1953, guiado pela etologia e pela imaturação neurológica da criança, o estádio do espelho equivale corpo e imaginário, o que está em jogo é uma alienação imaginária.  A segunda elaboração vai de 1953 a 1960. Temos aí a apresentação do estádio do espelho a partir do esquema ótico, um jogo de espelhos, para demonstrar de que maneira o simbólico intervém na estruturação da imagem corporal. Em outras palavras, o corpo como consistência imaginária está determinado pela incidência de um suporte simbólico. Uma complexificação do estádio do espelho se dá ao considerar os pontos de encontro entre a experiência orgânica e a imagem do corpo. É a partir do Outro da linguagem que será possível que haja uma adequação entre as experiências de gozo e a imagem do corpo. Essa adequação deixa sempre um resto libidinal que não entra na representação imaginária. É o que Lacan enfatiza através de jogos complexos de espelhos retomado no seminário A angustia.

Graciela ressalta que há um outro momento no ensino de Lacan que o que se destaca no estádio do espelho é o objeto olhar. Ou seja, antes de nos ver como imagem, somos olhados, somos objetos do olhar do Outro. Essa dimensão do ser olhado permite reler o estádio do espelho levando em consideração a passividade como anterior a atividade de ver e de considerar a imagem do próprio corpo. Dessa perspectiva, o que estaria em jogo no estádio do espelho, é uma experiência que permite esvaziar o olhar do Outro para que seja possível constituir o triunfo da imagem sobre a potência desse olhar. O que faz com que não experimentemos esse sentimento de estranheza é a extração do objeto (a) como olhar, é essa extração que permite que tenhamos um sentimento de realidade perceptiva. Cada vez que se impõe o mais-de-gozo visual pode surgir o olhar, de algum lugar sou olhado. Na paranoia, por exemplo, se impõe de maneira permanente a presença do olhar do Outro.

Para Miller, o final de análise deve ser compatível com a manutenção do olhar do Outro, por essa razão que Lacan afirma que a única virtude é o pudor, ou seja, a única virtude é conservar algo do olhar do Outro. É sob essa perspectiva que Lacan dizia que ele continuava sob o olhar de Freud.

Para finalizar, Graciela antecipa uma questão a ser retomada noutro momento: como se ter um corpo sem o recurso da imagem, um corpo como pura experiência pulsional? Ela indica que essa problemática foi introduzida por Joyce e trabalhada por Lacan no seminário 23.

Fernando Casula

Seminário teórico: O corpo e o olhar

Responsável: Graciela Bessa

AGOSTO. dia 31. sexta

Seminário Clínico: Apresentação a definir

Comentário: Maria de Fátima Ferreira

SETEMBRO. dia 14. sexta

Seminário teórico: Vergonha: “um afeto primário da relação ao Outro”

Responsáveis: Henri Kaufmanner e Yolanda Vilela

SETEMBRO. dia 28. sexta

Seminário Clínico: Atividade conjunta com o Núcleo de Psicanálise e Criança

Apresentação: Juliana Mota “Psicose e maternidade: relato de uma mãe com seus filhos”

Comentário: Cristiane Barreto

OUTUBRO. dia 05. sexta

Seminário teórico: O mito individual na psicose

Responsável: Anamáris Pinto

OUTUBRO. dia 26. sexta

Apresentação de Paciente

Entrevistador: Wellerson Alkmim

Local: a definir

Horário: 10:00 às 12:00 horas

NOVEMBRO. dia 09. sexta

Seminário teórico: Comentário da Apresentação de paciente

Responsável: Lúcia Grossi

NOVEMBRO. Dia 30. sexta

Considerações sobre as atividades do Núcleo de Psicose

Responsável: Fernando Casula