Rede TyA

1o semestre de 2018

REDE TOXICOMANIA E ALCOOLISMO – TyA BRASIL –

REDE TOXICOMANIA E ALCOOLISMO – TyA BRASIL –

O Segundo Colóquio Internacional da rede  TyA acontecerá no dia 31 de março, sábado, das 9 hs às 16 horas na sede da ELP em Barcelona. Conheça aqui o argumento e o convite feito por Fabián Naparstek, coordenador mundial da Rede TyA.

 

  “Ligamentos e desligamentos nas toxicomanias e adições”

Desde o começo da elaboração no TyA partimos da indicação de J. Lacan em relação à droga e o faz pipi. Tal indicação lacaniana nos ajudou, por muito tempo, a pensar a questão das toxicomanias e em especial no marco das neuroses. A chamada tese de ruptura marcou uma época em nossa elaboração. De fato, J.-A. Miller tomou dita tese para nos orientar no que diz respeito ao gozo toxicômano[1]. Poderíamos dizer que foi a primeira versão sobre as toxicomanias a partir da orientação lacaniana elaborada por J.-A. Miller. No entanto, são muitas as referências dadas por J.-A. Miller ao longo de seus cursos e em diferentes falas, colóquios ou conferências. Poderíamos afirmar que sua primeira versão sobre as toxicomanias se encontra emoldurada na elaboração sobre o falo. No entanto, pode-se indicar um segundo momento onde a referência central já não é sobre o falo, mas ao redor do objeto pequeno a. A época do parceiro sintoma[2] nos traz uma nova versão, onde a toxicomania poderia aparecer como um gozo a-sexuado[3].  Aqui se trata da toxicomania como um “anti-amor”[4]. “A toxicomania prescinde do parceiro sexual e se concentra, se dedica, ao parceiro a-sexuado do mais-de-gozar”[5].  Disto se segue, que não se trata do falo, ainda que a noção de uma ruptura com o Outro do amor se encontre subjacente. É a prevalência do a sobre o Ideal. Não obstante, na elaboração de J.-A. Miller podemos encontrar um terceiro momento onde já não fala de toxicomania, mas de adição. Neste caso, não se trata do falo ou do objeto pequeno a, mas do sintoma nos termos do último Lacan. Com efeito, em “O ser e o Um”, J.-A. Miller volta à questão a partir da iteração do sintoma e da adição como modelo do sintoma enquanto tal. Poderíamos dizer que se trata de um sintoma que está separado do Outro e vazio de sentido. Por isso, aqui também teríamos una noção da adição como modo de separação em relação ao Outro. Mas, já neste caso muito mais próxima das práticas de consumo no campo das psicoses, embora não somente ali.  Ao lado deste percurso, se pode dizer que na elaboração sobre as psicoses ordinárias e os inclassificáveis se coloca também em questão a noção da tese de ruptura. Dita tese estava emoldurada numa clínica des-continuista e em especial sobre a noção do falo. No entanto, é desde a perspectiva de uma clínica continuista e flexível que é possível pensar ligamentos e desligamentos do Outro no campo das toxicomanias e adições. Este último ponto nos permitiu iniciar um trabalho sobre a função das drogas em cada caso e em especial com as psicoses. Com efeito, encontramos práticas de consumo que funcionam como um ligamento com o Outro ou, pelo contrário, como um desligamento.  Vê-se assim, que temos um novo desafio em nosso campo, que é a possibilidade de pensar as novas práticas de consumo atuais a partir da orientação lacaniana com os diferentes momentos de nossa elaboração – já que estas elaborações não desaparecem – e a partir de possíveis novos desenvolvimentos aos quais a clínica sempre empurra, já que ela assume a dianteira.

Esperamos vocês!!!

Fabian Naparstek

Tradução: Elisa Alvarenga

 

Coordenação TyA Brasil: Maria Wilma S. de Faria

Informações:  mwilma62@gmail.com

Referências

[1] – Miller, J.-A.: “Para una investigación sobre el goce autoerótico”, in Pharmakon digital n. 2, 2016, Clássicos: www.pharmakondigital.com

[2] – Miller, J.-A.: “El partenaire – síntoma” Los cursos psicoanalíticos de Jacques – Alain Miller. Paidós. Miller, J.-A.: “El síntoma charlatan”. Ed. Paidós, Barcelona, 1998. Miller, J.-A.: “La théorie du partenaire2 en Quarto 77, Bruxelles.

[3] – Miller, J.-A.: “La théorie du partenaire2 en Quarto 77, Bruxelles. Pag. 14.

[4] – Op. Cit.

[5] -Op. Cit.