Discurso de encerramento da gestão da Diretoria da EBP-MG, 2015-2017

Discurso de encerramento da gestão da Diretoria da EBP-MG, 2015-2017

Discurso de encerramento da gestão da Diretoria da EBP-MG, 2015-2017

Sérgio de Campos

Caros colegas, saudações.

É chegado o momento de concluir. Dois anos nos separam do instante de ver em que assumimos a Diretoria da Seção Minas da Escola Brasileira de Psicanálise. Foi uma aposta realizada em ato. Agora, sei o que Lacan quis dizer ao mencionar uma vez a palavra tarefa e cinco vezes o significante trabalho, no texto “Ato de fundação”. Concluo: Escola, o teu nome é trabalho. A Escola não é apenas trabalho que envolve todo um rigor ético, mas, ela também é desejo. A Escola é sempre uma construção, a partir do desejo de cada um. Ao resgatar o “Ato de fundação”, o trabalho é indissociável do desejo e da formação analítica. Portanto, um desejo decidido foi posto em ato pela Diretoria, colocando em marcha o automaton de uma locomotiva em ação, o que possibilitou acolher os efeitos de maneira inusitada como tyché. 

O ensino e a transmissão da psicanálise foram uma bússola para essa Diretoria. Portanto, todos os convidados que a Seção trouxe, ao longo desses dois anos, não devem ser considerados gastos, mas investimento na psicanálise. E nesse investimento, cada um colocou algo de seu. Não comentarei sobre as atividades das Diretorias de Biblioteca e de Carteis, uma vez que os colegas Márcia Rosa e Wellerson Alkimim terão a oportunidade de fazê-lo, hoje, aqui.

O “Passe na Escola”, a “Supervisão: efeitos de formação” e o “Seminário de Orientação  Lacaniana” formaram um tripé sólido de sustentação de transmissão e ensino da nossa Escola. O “Passe na Escola”, sob a coordenação de Ana Lydia Santiago, a quem agradeço imensamente, ofertou a uma assistência, sempre lotada e atenta, diversos testemunhos sobre a psicanálise pura. Por aqui, nesses dois últimos anos, passaram os seguintes AE e ex-AE: Luís Fernando Carrijo, Ram Mandil, Jésus Santiago, Danièle Lacadée-Labro, Ana Lydia Santigado, Angelina Harari, Sérgio de Campos, Marcus André Vieira, Romulo Ferreira da Silva, Ana Lucia Lutterbach, Marina Recalde, Gabriela Grinbam; Kuky Mildner e, mais recentemente, Debora Rabinovich. Outros colegas que não conseguirei citar todos, contribuíram de maneira viva para essa interlocução.

Um amplo e profícuo debate sobre a “Supervisão: efeitos de formação”, sob a coordenação de Elisa Alvarenga, a quem eu muito agradeço, foi introduzido de maneira inédita na agenda da Escola. Sob essa insígnia, foram abordados temas candentes como o controle na prática analítica, a supervisão institucional, a apresentação de pacientes, a supervisão na universidade, a supervisão no coletivo, a supervisão em rede, ensino e transferência, ensino e garantia. Elisa recebeu vários convidados que abrilhantaram esse ensino.

O “Seminário de Orientação Lacaniana”, sob a coordenação viva e entusiasmada de Jésus Santiago e de Ram Mandil, foi figura de proa que assegurou a pesquisa, a investigação e o ensino da psicanálise dentro Seção. Os temas como a clínica do parlêtre, o novo inconsciente, o engano do sujeito suposto saber e o inconsciente como o sujeito suposto saber, foram aqueles que fizeram contaminar e expandir o nosso desejo de saber. Ao Jésus e ao Ram, o meu muito obrigado.

Seis seminários bem frequentados estão em curso em nossa Escola: “A sexualidade na juventude”, de Margareth Ferraz; “Solitudes”, de Márcia Rosa; “A direção do tratamento no século XXI”, de Francisco Paes Barreto; “Seminário de Leitura”, de Sérgio de Castro; “Os inclassificáveis”, de Christiano Lima; “Psicanálise pura e aplicada”, de Jorge Pimenta e “Leituras Lacanianas” de Sérgio de Campos. Ainda tivemos o Seminário, “O que Lacan inventou?” com Luís Henrique Vidigal.

Na vertente do ensino e da transmissão da psicanálise, essa Diretoria realizou duas grandes Jornadas de grande vivacidade, sempre lotadas, as quais foram pontos altos, nesses últimos dois anos. Ambas contaram com as Noites Preparatórias prévias, sempre bastante qualificadas que contribuíram seguramente para o êxito das Jornadas. Assim, o meu agradecimento a todos que contribuíram para as noites preparatórias.

Na primeira Jornada, “Ser mãe hoje”, sob a coordenação de Cristina Drummond, tivemos como convidada internacional, Marie-Hélène Brousse e, na segunda, “Jovens.com: corpos e linguagem”, sob a coordenação de Elisa Alvarenga, tivemos como convidado internacional, Daniel Roy. Agradeço ao esforço da vasta equipe que ajudou a elaborar, construir e realizar essas duas Jornadas. Agradeço a Cristina e a Elisa pela parceria profícua e exitosa.

Agradecimentos: agradeço a minha Diretoria:

– a Maria de Fatima Ferreira, Tesoureira-Secretária, meu braço direito e esquerdo, parceira e amiga com quem compartilhei no cotidiano, o passo a passo dessa condução diretiva;

– a querida Márcia Rosa, Diretora de Biblioteca, que com competência junto com sua equipe, soube trazer fôlego e injetar ânimo nas atividades de Biblioteca que se tornaram altamente concorridas;

– ao colega e amigo Wellerson Alkimim que, com entusiasmo e dinamismo com sua equipe, soube abraçar a causa dos cartéis, na qual podemos destacar a presença de Domenico Cosenza e Fabian Naparstek nas duas instigantes Jornadas de Carteis;

– agradeço, particularmente, a Ana Lydia Santiago e a toda Diretoria do Instituto pela parceria de inúmeros projetos compartilhados ao longo desses dois anos;

– agradeço a Lucíola Macedo, em nome do Conselho da EBP-MG e todos os seus integrantes;

– agradeço a Cristiane Barreto e Miguel Antunes pela dedicação frente ao minascomlacan;

– agradeço a Paula Pimenta e toda sua equipe que estiveram à frente das publicações das quatro revistas Curingas;

– agradeço a Yolanda Vilela e toda sua equipe que estiveram à frente das revistas online Derivas;

– agradeço a Maria Amélia Tostes e a Murilo Godoy por terem confeccionado as Agendas com as programações da EBP-MG;

– agradeço ao Vinicius Gonçalves pela disponibilidade e pela competência tecnológica à frente da Vgon;

– agradeço a Regina e a Grazielle da Biblioteca, ao Fidel da portaria, ao Marlon, a d. Graça, e, especialmente, a secretária Juliane,

– agradeço a todos eles pela dedicação, pela eficiência e pelo empenho para com a EBP-MG.

Enfim, dirigir a Escola é como ser maestro de uma orquestra talentosa. Afinal, foram dois anos de intenso e profícuo trabalho dessa Diretoria, cujos efeitos de Escola esperamos que se propaguem. Sob os auspícios da lógica da permutação, é hora de se passar o bastão!  Portanto, uma última palavra endereçada à nova Diretoria que agora se empossa. Desejamos a Fernanda Otoni, a Raquel Botrel, a Sérgio de Castro e a Sergio Mattos, nos próximos dois anos à frente da Diretoria da EBP-MG, um excelente, brilhante e exitoso trabalho.

Viva a Escola!

Muito obrigado!