Discurso de posse da Diretoria da EBP-MG

Discurso de posse da Diretoria da EBP-MG

Março de 2015
Sérgio de Campos

No final da década de oitenta, depois da dissolução das instituições lacanianas em Belo Horizonte, uma comunidade de jovens, orientados por Jacques Alain Miller, sonhou em fundar uma Escola de Psicanálise no Brasil. Esse sonho tomou corpo e teve o nome de Iniciativa Escola. Reuníamos à noite, sob o luar, debaixo das mangueiras do Instituto Raul Soares. Depois, passamos a nos encontrar na Universidade FUMEC. Havia muitos interessados. Durante o III do Fórum Iniciativa Escola, em Belo Horizonte, com a presença de Jacques Alain Miller, foi criado o setor Rio, Paraná e o Mineiro da Iniciativa Escola. Os setores paulista e baiano já haviam sido criados. O setor mineiro logo pensou numa publicação, sendo que a primeira edição da revista Curinga circulou em dezembro de 1993.

Quem não se lembra da simpática casinha da Rua Santa Catarina, como a primeira sede da EBP-MG. A juventude era nossa aliada. Muito trabalho e muitas reuniões aconteceram até chegarmos em 30 de abril de 1995, onde foi fundada a Escola Brasileira de Psicanálise, em grande estilo, incluindo um baile de máscara no hotel Glória no Rio. Perfazem vinte anos a existência da EBP, portanto.

Certa vez, colegas de outros estados apelidaram a EBP-MG de trem, em homenagem ao jargão mineiro de chamar tudo e qualquer coisa de trem e também por alusão à locomotiva, ao desejo decidido de trabalho profícuo e silencioso dos analistas mineiros. “Pois é”, como diz o mineiro, a partir do dispositivo de permutação na Escola de Lacan, junto com os colegas de diretoria Maria de Fátima Ferreira, Márcia Rosa e Wellerson Alkimim teremos a honra de conduzir, espero que dentro dos trilhos, a EBP-MG durante os dois próximos anos. Portanto, quero agradecer todas as diretorias anteriores que souberam trazer cuidadosamente a EBP-MG até aqui. O nosso agradecimento especial à diretoria de Henri Kaufmanner, Helenice de Castro, Laura Rubião e Lúcia Grossi pela parceira na transição e que, conclui de maneira exitosa sua missão. Nossos agradecimentos à Ana Lydia Santiago e sua diretoria do Instituto que se ocupa da seção psicanálise aplicada, pelo acolhimento da parceria Escola-Instituto. Juntos, manteremos distintas as esferas do saber produzidos em ambos os espaços de aprendizado.

A permutação é como uma corrida de revezamento. É preciso saber receber o bastão com folego renovado e adiante, será preciso saber repassá-lo, antes que o folego acabe. No âmbito geral, a Escola se endereça ao futuro. A vida apenas pode ser compreendida, quando se olha para trás; contudo, só pode ser vivida, quando se olha adiante. Assim, para sermos mais ousados, digo que a Escola de Lacan é o futuro da psicanálise e se existe futuro para a psicanálise, esse futuro passa pela Escola de Lacan. Portanto, precisamos zelar pela Escola como um lugar de formação de analistas para que ela permaneça viva e se mantenha em perspectiva, a dimensão ativa da transmissão da psicanálise para as futuras gerações.

É com grande expectativa que a EBP-MG convida a todos para um ano pleno e rico de atividades. No que concerne à seção psicanálise pura, particularmente, ao primeiro eixo da formação do analista, teremos o Seminário de Orientação Lacaniana, agora, transmitido via Webex para algumas cidades do interior, no qual alinha sua veia investigativa em direção à clínica do parlêtre, tema referente ao Congresso da EBP, ao ENAPOL e ao Congresso da AMP. Porém, consideramos que se faz necessário um acompanhamento de perto para zelar pela lógica da Escola e apurar os efeitos dessa transmissão nesses locais.

No que se reporta ao segundo eixo da seção psicanálise pura, as atividades do “passe na Escola”, seguem a todo vapor, visto que tem a finalidade de acolher os testemunhos dos AE e debater os pontos cruciais da conclusão de uma análise e ao que pertence à formação do analista. Esperamos com entusiasmo pelo testemunho de Luiz Fernando Carrijo, recém-nomeado AE pelo cartel do passe da EBP.

No dia 28 de maio, a Escola inaugura uma nova atividade regular, no âmbito do terceiro eixo da seção psicanálise pura, até então inédita, cujo nome é “A arte da supervisão”. Essa atividade, coordenada por Elisa Alvarenga tem por finalidade introduzir o debate do papel da supervisão como um dos três pilares da formação do analista. Afinal, trata-se de uma responsabilidade da Escola, oferecer uma garantia no controle e na regulação da prática daqueles que exercem a psicanálise. De acordo com Lacan, no Ato de fundação, pretende-se colocar a supervisão em seu devido lugar como práxis e doutrina da psicanálise pura. Continua Lacan: “uma supervisão qualificada está assegurada, nesse contexto, ao praticante em formação na Escola”. Na oportunidade, teremos como primeiro convidado para debater a “Arte da supervisão”, o colega AME, Antônio Beneti.

Por último a “seção de recenciamento do campo freudiano”, se refere à inscrição da psicanálise no saber. Aliás, se trata da contribuição da psicanálise ao saber. Dentro dessa seção, as atividades da Biblioteca serão concentradas numa manhã de sábado a cada semestre. Para o próximo 16 de maio haverá um comentário de Mário Elkin, AME da NEL, sobre as bibliotecas de Medellín. Ademais, contaremos com a presença de colegas que debaterão sobre a Literatura do testemunho e a Experiência de publicar o testemunho. Ainda dentro “seção de recenciamento do campo freudiano”, temos mais duas atividades. A primeira, o seminário “Repciência” que se propõe investigar o espaço de borda para aqueles que se interessam pela interface entre psicanálise e ciência e a segunda, “Peças avulsas” que terá a finalidade de debater a psicanálise e a cultura.

No fim de junho, mais precisamente, no dia 27, teremos a Jornada de Cartéis que tem por objetivo abrigar a produção anual dos cartelizantes. Na oportunidade, contaremos com a presença do convidado Domenico Cozenza, AME da SLP/AMP.

Um pouco mais adiante, nos dias 30 e 31 de outubro, receberemos a AME da ECF/AMP, Marie-Hélène Brousse que ministrará dois seminários durante a XIX Jornada da EBP-MG – O que quer a mãe hoje? – que acontecerá no Dayrell Hotel. Esperamos contar com um grande número de trabalho, tanto na Jornada de Carteis como na Jornada da EBP-MG.

Para nos aparelharmos para essa Jornada, teremos quatro Noites preparatórias, sendo a primeira em 23 de abril de 2015, cujo tema será “O que quer a mãe, hoje?”; a segunda, em 11 de junho de 2015, cujo titulo será “Ser mãe e os complexos familiares da atualidade”; por último, a terceira e a quarta noite preparatórias, serão agendadas oportunamente para o segundo semestre. Entretanto, já temos os títulos. A primeira terá o título de “Função materna e mãe simbólica” e a última,Mães loucas e loucuras Maternas”.

No plano nacional, teremos o XI Congresso dos membros da EBP em Salvador, no qual os membros da EBP se reunirão para discutir o parlêtre, apanágio da clínica do século XXI. Solicito aos membros de Escola que ainda não fizeram suas inscrições que as façam tão logo quanto possível. Por fim, a Escola Brasileira de Psicanálise se prepara para sediar em São Paulo, nos dias 04, 05 e 06 de setembro o VII Encontro Americano de Orientação Lacaniana, ENAPOL, cujo título será Império das Imagens. Toda uma programação foi elaborada pela Escola e pelo Instituto no sentido de aquilatarmos esse tema.

Concluindo, afirmo que a Escola é um esforço de poesia em forma de trabalho!

Assim, EBP-MG, teu nome é Iniciativa! Dê o start! Sempre adiante!

Muito obrigado!