Entrevista Fabian Fajnwaks

Entrevista Fabian Fajnwaks

fabianO Portal Minas com Lacan entrevistou Fabian Fajnwaks, psicanalista, membro da Ecole de la Cause Freudienne (ECF) e membro da Escuela de Orientación Lacaniana (EOL), além de mestre de conferências do Departamento de Psicanálise da Université Paris 8. Fajnwaks foi recentemente nomeado Analista da Escola (AE).

A entrevista aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, por ocasião do X Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, “O Corpo Falante – Sobre o Inconsciente no século XXI”, e antecedeu sua vinda a Belo Horizonte, onde participou, nos dias 2 e 3 de maio de 2016, do Colóquio Internacional “Mais além do gênero: o corpo adolescente e seus sintomas”, organizado pela UFMG e  pelo IPSM-MG. A conversa percorreu os impasses atuais da adolescência e da juventude, seus corpos e linguagens e o modo como se enodam. Para Fajnwaks, “os adolescentes já são lacanianos hoje, quer dizer, com seus sintomas, fazem um chamado a nominação”.

As elaborações de Fabian Fajnwaks são campo fértil de inspiração para a preparação de trabalhos para a XX Jornada da EBP-MG: “jovens.com: corpos & linguagens”.

Agradecemos ao Fabian Fajnwaks!

Entrevista realizada por Carla Capanema e Cristiane Barreto.

Portal Minas com Lacan: Levando em conta a sua vinda a Belo Horizonte como conferencista do Colóquio Internacional “Mais além do gênero: o corpo adolescente e seus sintomas”, gostaríamos de saber como a temática deste evento tangencia a sua prática? Como você define a juventude e o que a juventude atual ensina?

Fajnwaks: Muito obrigado pelo convite desta entrevista. Eu penso que a juventude de hoje mudou muito desde a concepção clássica psicanalítica da adolescência, mas que também é uma placa sensível da época, como dizia Winnicott.  Winnicott definia a adolescência como um momento em que o sujeito é um sintoma para ele mesmo, no sentido de que todas as coisas que acontecem ao jovem mudam, primeiramente o corpo, as identificações, as submissões que ele alcançou na época da infância. Para Winnicott, a adolescência é todo esse regime de ideais, de sintomas, que se impõem na época da infância e que mudam. Ele comenta amplamente o texto de Freud “As metamorfoses da puberdade” nos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”. Mas eu penso que Winnicott tinha ainda uma concepção da adolescência fundada no ideal e no sintoma, e o que nossa prática com adolescentes demonstra é justamente esse efeito de que os ideais que nossa época propõem ao jovem não alcançam tratar o gozo presente nesse corpo que muda, que se confronta com novos gozos. Então, a concepção da adolescência como sintoma não consegue definir o que a clínica com adolescentes apresenta hoje. Quer dizer, novas maneiras de gozar, novas maneiras do corpo de gozar, em que a dimensão sintomática presente no jovem não alcança uma forma de tratar.

Mas há também uma concepção do sujeito presente do lado do sintoma, no sentido dos novos sintomas, diferente do sintoma clássico entendido como recalque, sintomas que não passam pelo recalque e que põem em evidência um corpo que, muitas vezes, de maneira metonímica, tenta inscrever justamente alguma coisa do simbólico que o sujeito não consegue escrever. Eu penso que toda a problemática das escarificações, das mutilações que os adolescentes fazem no corpo, claro que temos que ver a dimensão subjetiva e singular de cada um, mas que essa multiplicação, essa epidemia de mutilações no corpo tão presente no adolescente, apresenta o caráter de um real que nenhum ideal hoje permite tratar. No meio do século XX, muitos analistas pós-freudianos, ana-kleinianos principalmente, tratavam a adolescência como um momento de reacomodamento de identificações, como um momento em que o ideal do eu não consegue tratar as identificações resultantes do Complexo de Édipo. Mas esse modelo teórico da adolescência hoje não alcança a relação do sujeito com seu corpo. Essa dimensão de placa sensível da época, que Winnicott via na adolescência, segue sendo evidente hoje, no sentido de que o corpo do adolescente mostra como os novos sintomas que não passam pelo recalque buscam tratar um gozo que excede o corpo. É uma clínica do acontecimento de corpo, especialmente para a adolescência, mas para muitos sujeitos adultos também. Finalmente, a dimensão sintoma que Winnicott via para a adolescência era um sintoma associado à dimensão simbólica, à dimensão significante, e o que hoje nós vemos como adolescência é que justamente o que está posto em evidência é a dimensão acontecimento do corpo, isto é, o real do gozo presente no corpo que o simbólico não alcança  tratar.

Portal Minas com Lacan: Não deixa, nesse sentido, de ser um sintoma, de responder a algo do novo da puberdade, desses encontros com isso que você chamou dos gozos diferentes, dessa experimentação, mas não um sintoma na vertente da resposta simbólica.

Fajnwaks: Sim. Porque o que aparece nessas formas de gozo do acontecimento do corpo é mais um chamado ao Outro, sob a forma de um acting out, que põe em evidência um gozo que excede o corpo, mas põe em evidência dando-se a ver, como um chamado a uma interpretação, e o trabalho em análise com estes adolescentes é poder dar uma interpretação que permita tratar esse gozo que excede o corpo em uma dimensão mais simbólica, dando-lhe uma nominação, nomeando esse gozo. Isto é o que acontece em uma entrevista entre um adolescente e um analista.

Portal Minas com Lacan: O que você pensa sobre a importância do período da juventude para a construção de uma nominação? Quais exemplos pode nos oferecer de como uma nominação sustenta ou orienta um jovem sujeito?

Fajnwaks: Da sua maneira, os adolescentes já são lacanianos hoje, quer dizer que, com seus sintomas, fazem um chamado à nominação, no sentido do último ensino de Lacan, que busca cernir um real do gozo presente no corpo. Então, é necessário justamente uma clínica borromeana para poder tratar disso. Os analistas que tentam tratar disto no domínio edipiano estão ultrapassados, ficam ao lado da problemática adolescente hoje. Eu penso em um caso de como uma nominação sustenta um jovem sujeito.

Uma jovem que comecei a ver quando tinha quatorze anos e não a vi durante muitos anos, por quatro ou cinco anos, vinha porque tinha um diagnóstico de dislexia, e nós sabemos que, muitas vezes, debaixo de um diagnóstico de “dis”, temos, do ponto de vista da estrutura, outras coisas. E não passou muito tempo das entrevistas preliminares para que ela me falasse de uma alucinação que tinha desde muito jovem, uma imagem de uma mulher branca que viria à noite, no momento de dormir, e essa presença a tranquilizava. Interpretei que era uma presença maternal para essa menina, que tinha uma mãe que fazia semblante de muito se ocupar dela, mas que não investia dignamente nessa menina. E pouco tempo depois – ela tinha uma apresentação muito masculina -, ela veio me contar que havia falado durante um almoço em família que era homossexual, o que causou uma revolta familiar muito grande. Mas, como a jovem homosexual de Freud, esta menina era homossexual sem ter uma prática homossexual, ela nomeava-se homossexual. E toda a sua questão na escola era que suas colegas de recreio não percebessem que ela era uma menina, queria se passar por um menino, e com uma relação erotomaníaca muito presente, muito imaginária, com as outras meninas, mas somente escópica, de olhar, onde o importante era estar convencida de que esta menina, e outra menina e outra menina – isso fazia série – estavam enamoradas dela, mas sem que ela pudesse encontrar sexualmente essas meninas. Isso fez nominação para ela, eu penso que se dizer homossexual permitiu enodar de alguma maneira os três registros. Podemos ver de que maneira o real, o simbólico e o imaginário se amarraram para que pudesse dar uma coisa que lhe permitiu negociar com um gozo presente em seu corpo, principalmente através da violência que era muito forte, impulsos violentos contra sua mãe, contra sua irmã, contra ela mesma também. A tentativa de extração do objeto olhar permitiu tratar, dar consistência a esse corpo, também o nome homossexual, que a nomeava de uma nova maneira. Esse é um exemplo clinico de uma psicose e de como uma nominação permitiu amarrar os três registros.

Portal Minas com Lacan: A nominação apazigua esse Outro d’A Mulher que aparecia também…

Fajnwaks: Sim, exatamente.

Portal Minas com Lacan: Apesar de ser uma alucinação que, de alguma forma, a protegia, era uma mulher do ponto do real que causava horror…

Fajnwaks: Sim, era uma mãe real. Mas ela passou por isso, porque isso desapareceu no momento em que ela começou a me falar. De alguma forma, essa presença alucinatória da mãe se dissolveu e, a partir daí, ela passou a se nomear homossexual. Isso não quer dizer que esse nome funcione para todos os sujeitos, é como uma nominação com a qual nos surpreendemos no fim de uma análise.

Portal Minas com Lacan: É uma nominação que pode mudar com o tratamento?

Fajnwaks: Poderia mudar, é certo que essa é uma nominação que ela conseguiu no tratamento, é uma nominação sob transferência. Haveria que ver se ela permanece no tempo.

Portal Minas com Lacan: O que aparece na forma de um empuxo a mulher, “a homossexual”, é um dos nomes que ela dá à mulher?

Fajnwaks: Exatamente. Também se pode ler desta maneira…

Portal Minas com Lacan: A vertente erotômana está presente em que dimensão? 

Fajnwaks: Ela sofria bastante disto, mas não até a paixão amorosa. Poderia ter sido conduzida a isso, mas ficou em análise até os 18 anos e não sei como evoluiu esse caso. Efetivamente, a dimensão erotômana também permitia dar certa estabilidade e isso foi permitido com um analista homem. Foi importante.

Portal Minas com Lacan: Sim, menos terrível…

Portal Minas com Lacan: Em seu livro “Subversion lacanienne des théories du genre” você traz a ideia de que a psicanálise lacaniana, assim como a teoria queer, trabalha a dimensão da sexualidade não em termos de gênero ou identificações, mas em termos de modos de gozo. No segundo tempo de seu ensino, principalmente em “Mais, ainda”, com a tábuas da sexuação, e em RSI, com o nó borromeano, Lacan vai tratar a sexualidade não em termos de identificação, mas de modos de gozos múltiplos que não estão sob o reino do universal. Como essa segunda abordagem de Lacan ajudaria a pensar a sexualidade vivida hoje em dia pelos jovens?

Fajnwaks: Os jovens hoje apresentam-se ainda como os perversos polimorfos de Freud, eles exibem práticas sexuais que não entram forçosamente em uma dimensão normativa, se é que essa dimensão normativa algum dia existiu. Existia na época de Freud, mas ele nunca foi normativo quando falava de eleição de objeto e de identificações na adolescência. Freud procurava descrever o que acontecia na adolescência, ele não dizia que isso tem que acontecer dessa maneira. Então, eu acho que os adolescentes já estão na época lacaniana, que é nossa também, de um gozo que não passa necessariamente pelo Édipo, pelas identificações edipianas, pelos semblantes, de certa maneira… Podem passar pelos semblantes e o trabalho com os adolescentes pode ser acompanhar justamente na construção desses semblantes. Isto é o que está em jogo no último ensino de Lacan e que, de alguma maneira, a teoria queer põe em evidência. Os queer identificam-se, fazem laço social a partir de um gozo sexual. Esse gozo sexual faz um nome.

Portal Minas com Lacan: São nominações?

Fajnwaks: São nominações…os sujeitos gays “bears”, “leather” ou femininos, os sujeitos lésbicas “butch”, “fem” ou “Daddy”, os transgêneros ou transexuais, diferentes tipos de práticas sexuais que autorizam nominações que fazem laço social. Mas o ponto é que essas nominações constroem-se a partir de identificações horizontais. Não se apresentam verticais, como ideais, como era o modelo da psicologia das massas da época de Freud, da época moderna. Nós estamos na época pós-moderna ou hipermoderna, em que essas identificações verticais não funcionam mais. Por certo que a análise não favorece as identificações, ela vai no sentido da desidentificação, que o sujeito possa nomear o seu gozo na medida em que ele se separa dele. Então, eu penso que nos adolescentes encontra-se presente essa dimensão queer da sexualidade, essa dimensão do gozo que não passa necessariamente por nenhuma norma heteronormativa, como fala Judith Butler, e por nenhuma norma edipiana. E, tampouco, nós psicanalistas estamos a serviço das identificações edipianas para o sujeito. Ao contrário, a análise põe em evidência a dimensão queer do gozo e nós, lacanianos, não nos opomos a essas identificações, à diferença dos queer, não promovemos identificações que permitam ao sujeito padronizar seu gozo. Nós acompanhamos o sujeito no seu processo de tentar nominar um gozo que excede esse corpo, no sentido de acontecimento de corpo. Podemos justamente definir a adolescência como o momento em que o corpo se manifesta como acontecimento de corpo, principalmente.

Portal Minas com Lacan: Lacan, em seu prefácio a “O despertar da primavera”, diz que a sexualidade faz furo no real para todos os sujeitos, levantando o véu da não relação sexual: “apontei a ligação de tudo isso com o mistério da linguagem e com o fato de que é ao propor o enigma que se encontra o sentido do sentido”. Como você interpreta essa frase de Lacan?

Fajnwaks: Lacan, em seu seminário “O Avesso da Psicanálise”, define o enigma como um enunciado em espera de uma enunciação. Um enunciado do qual a carga da enunciação fica do lado do sujeito: quando você tem um enunciado enigma e tem que se arranjar para encontrar a enunciação deste enunciado. Em seu prefácio “Introdução à edição alemã de um primeiro volume dos Escritos”, ele diz que o cúmulo do sentido é o enigma, porque o enigma é o ponto de fuga do sentido, e o que escapa ao sentido é justamente o gozo. É o ponto em que a linguagem não chega a capturar. Então Lacan diz: “apontei a ligação de tudo isso com o mistério da linguagem e com o fato de que é ao propor o enigma que se encontra o sentido do sentido”. Por outro lado, Lacan diz que a palavra plena é uma forma de cúmulo do sentido, justamente porque o cúmulo do sentido é o gozo. O gozo no sentido da língua francesa jouissance, que equivoca com “J’ouis sens” porque o que faz sentido para cada um é o gozo. O que compreendemos do ponto de vista de nosso fantasma fundamental é o gozo, esse é o ponto que permite fazer pontos de fuga, como nos quadros de pinturas. O que a linguagem não pode nomear é justamente o gozo, por isso Lacan retoma aqui o mistério da linguagem, o ponto que o gozo escapa do sentido dado pela linguagem.

Minas com Lacan: O real do sentido?

Fajnwaks: É o real do sentido. Certamente é uma coisa que a linguagem não chega a capturar, e é isso a que é confrontado o adolescente. Eu penso o adolescente como esse corpo que começa a se apresentar como um acontecimento, uma coisa que começa a ter lugar e que ele não pode completar com nenhum sentido. É justamente o gozo desse corpo, o ponto desse corpo que começa a gozar e confronta o sujeito, onde ele tenta de todas as maneiras responder, seja pelo sintoma, pela inibição ou pela angústia. Lacan diferencia esses três como três nominações diferentes: nominação simbólica como sintoma, nominação imaginária como inibição e nominação real como angústia, três modalidades de resposta do sujeito a esse acontecimento de corpo que tem lugar no corpo do adolescente. Poderíamos comparar esse acontecimento de corpo com os fenômenos elementares na psicose também. O psicótico, em um desencadeamento da psicose, está confrontado a fenômenos elementares, que são muitas vezes fenômenos de corpo que ele não consegue simbolizar, esse é o começo da psicose. Um excesso de gozo, um “mais de gozo” que excede o corpo do sujeito. Haveria que diferenciar aqui “acontecimiento de corpo” e “fenômeno de corpo”. Mas essa maneira de ver como fenômeno elementar é mais uma perspectiva de Lacan em “Questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”, que corresponde a manifestações do desencadeamento da psicose mais espetaculares e ruidosas que os fenômenos de corpo. A meu ver, fenômeno de corpo é mais interessante porque envolve o corpo na perspectiva do último ensino de Lacan, que permite abordar a captura do corpo pelo significante na primazia do gozo e não na perspectiva da primazia do simbólico, como é o caso na orientação do fenômeno elementar.

Portal Minas com Lacan: É interessante que na mesma época em que Lacan escreve o “Prefácio ao Despertar da Primavera”, ele trabalha as nominações em R.S.I…

Fajnwaks: Certamente. Na última classe de RSI, Lacan introduz esses três tipos de nominações e diz que, no ano seguinte, irá introduzir um quarto tipo de nominação, que é o sinthoma.

Portal Minas com Lacan: E qual a diferença entre a nominação e o sinthoma para você?

Fajnwaks: De que ponto de vista?

Portal Minas com Lacan: Em relação ao quarto elo que amarra os três registros. Porque é difícil um sujeito fazer um sinthoma nos termos de Joyce…

Fajnwaks: O que é importante lembrar é que Lacan fala do sinthoma pelo Joyce, ele não generaliza o sinthoma. Nós fazemos um uso clínico desse conceito, tem muitos casos que correm com isso, mas temos que ver se não estamos fazendo um tipo de dogma do conceito de sinthoma. O sinthoma é justamente uma quarta forma de nominação, é importante entender isto, Lacan já evoca no final do seminário “RSI” três tipos de nominação – o sintoma, a inibição e a angústia já são formas de nominação para o sujeito. Ele diz que vai introduzir uma quarta forma de nominação, que é o sinthoma. Utiliza o caso Joyce para introduzir a quarta forma de nominação. Então, temos que ver como isso se articula, se se articula sem forçar muito a clínica para diferentes sujeitos. Lacan introduz o sinthoma como o quarto nó que permite manter juntos os outros três. A clínica do passe permite, algumas vezes, verificar isso, mas os analistas não são Joyce, não são artistas. Joyce era um artista, eis a questão. Os analistas, quando fazem seu passe, não apresentam necessariamente seu sinthoma, apresentam seu resto sintomático, os usos que podemos fazer com esse resto. Eu falei isso também em meu testemunho, mas tem uma diferença em relação ao artista, não somos artistas.

Portal Minas com Lacan: Existe uma certa idealização sobre o sinthoma, alguns o tomam como produto exclusivo  do fim de uma análise ou  como algo espetacular…

Fajnwaks: Se fosse espetacular saberíamos, veríamos esse espetáculo. Eu acho que não é espetacular. Miller dizia que, para um analista, Lacan deixou dois modelos: o lógico e o artista. Mas é um modelo, não quer dizer que temos que copiar. Deduzir a lógica do caso do lado do lógico e fazer uso sintomático do resto do sintoma como fazem os artistas, como eles fazem um uso sublimatório, escabelizado do sintoma. Miller diz que os testemunhos são mensagens escabelizadas do ocorrido em uma análise. Mas não escrevemos nossa autoconfissão, como muitos escritores hoje o fazem, não temos o talento para isso e nem é a função do passe.