Homenagem a Serge Cottet -  Por Eric Laurent

Homenagem a Serge Cottet – Por Eric Laurent

Serge Cottet e suas Master Class

É demais! Em tão pouco tempo, ter perdido a Nepo em Buenos Aires e a Serge Cottet em Paris. Que tempos tão cruéis! Não conhecia Serge Cottet desde sempre, mas eu o conheço desde o início do Campo Freudiano. Trabalhamos juntos, primeiro quando embarcou na aventura do Departamento de Psicanálise em Vincennes, em seguida, no Seminário de DEA, em seguida, a Escola da Causa freudiana, mais tarde, em Paris 8 e tudo mais.

Desde seu primeiro grande livro, Freud e o desejo do psicanalista (1982), posteriormente, em sua tese de 1994, sustentada com Jean-Toussaint Desanti, nunca deixou de percorrer, com talento, rigor e precisão os caminhos do “inconsciente de Freud a Lacan”. Agregado de filosofia, escreveu textos clássicos na orientação lacaniana e atualizou, sem cessar, a clínica psicanalítica.

Seus grandes artigos percorrem o campo clínico. Desde o primeiro, “A bela inércia (nota sobre a depressão em psicanálise)” (1985), que nos acompanham. Também destacaria “A propósito da neurose obsessiva feminina” (2007) e “Lacan e o crime“, publicado em sua última compilação. “O inconsciente de papai e o nosso” (2012), sem esquecer “A hipótese continuista nas psicoses” (1999), texto de atualidade para o próximo Congresso em Barcelona sobre “As psicoses ordinárias e as outras“. Também escreveu sobre a clínica da criança e do adolescente.

Sua disposição clínica guiou por muito tempo a experiência do CPCT. Seus livros são outros tantos faróis que serviram de orientação para os seus leitores.

Seu seminário de Doutorado de Paris 8 era um ponto de encontro para todos aqueles que frequentavam o Departamento de Psicanálise e formou gerações de estudantes, da França, de Navarra e de muitos outros lugares.

Sua exigência dura e sedutora era de todos conhecida e permitia a cada um dar o melhor de si, apoiando-se na generosidade de seu ensino.

Era, acima de tudo, um companheiro seguro e o amigo presente em todas as peripécias que marcaram a história do Campo Freudiano. Seu humor cáustico, que nos fazia rir tantas vezes, era capaz de nos fazer esquecer que algum dia ele poderia faltar.

Por outro lado, não havia melhor músico. Até o fim, manteve o seu nível de excelência no violino, frequentando as mais diversas Master Class.

Sentimos que não tenha podido dar o grande concerto de seus sonhos. Não nos será possível ouvir os grandes representantes da Escola russa, a quem admirava, sem pensar nele.

Com esta nota, digo-lhe adeus e transmito à sua família e a sua filha minhas dolorosas condolências.

Eric Laurent

1 de dezembro de 2017

Tradução: Maria Rita de Oliveira Guimarães