Notícias do Núcleo de pesquisa em psicose do IPSM MG

Notícias do Núcleo de pesquisa em psicose do IPSM MG

Aconteceu na sexta feira dia 20 de abril às 10 horas na sede da Seção Minas da EBP o segundo encontro do Núcleo de pesquisa em psicose em 2018. A responsável pelo

seminário teórico: O falo na perspectiva lacaniana, foi nossa colega Fernanda Costa.

Ela nos trouxe suas contribuições a partir de seus estudos sobre a temática do falo em

três momentos distintos da obra de Lacan, a saber: “A significação do falo”, escrito de

Lacan em 1958; O Seminário 18: De um discurso que não fosse do semblante de 1971 e

O Seminário 23: O sinthoma. Importante marcar que não se trata de uma evolução do

conceito e que a elaboração posterior não invalida a precedente. É um conceito

extremamente clínico e constitui uma chave de leitura da sexualidade humana. Em “A

significação do falo”, época que Lacan considera a primazia do Simbólico sobre o

Imaginário e o Real, o falo é um significante que permite a instalação do sujeito do

inconsciente. É o produto da ação metafórica do pai sobre o desejo da mãe. Já em 1971,

n’ O Seminário 18 a noção de falo passa a ser articulada ao Real e ao gozo. É

considerado como um semblante que limita o dizer e permite pensar o gozo sexual

coordenado com um semblante, logo permite a relação sexuada, e não a relação sexual,

como bem enfatizou Fernanda. E n´O Seminário 23 o falo, como falácia (fora da

metáfora paterna), se relaciona estreitamente com o Real. Tivemos a oportunidade de

discutir o ensinamento de Lacan proferido na lição 7: “o único real que verifica o que

quer que seja é o falo”. Enfim, qual a importância de toda essa torção da noção de falo

para a clínica das psicoses? O debate foi acalorado e com certeza elementos levantados

possibilitaram avanços importantes para muitos dos presentes. Se a formulação

lacaniana de 1958 permitiu traçar a descontinuidade entre os campos das neuroses e das

psicoses, e pensar a metáfora delirante como solução ao impasse decorrido das

ausências da metáfora paterna e do significante fálico, as últimas elaborações sobre o

falo, concebido como falácia, fora da metáfora paterna, possibilitam a verificação de

suplências independentes das estruturas clínicas. Nas esquizofrenias não desencadeadas,

por exemplo, serve para verificar as soluções sintomáticas, ditas suplências, que não

passam pela via do sentido, da metáfora delirante. Instrumento preciso para operarmos

com delicadeza os desafios impostos pela clínica atual.

Fernando Casula