Núcleo de Investigação Psicanalítica nas Toxicomanias e Alcoolismo 10.11.2015

Núcleo de Investigação Psicanalítica nas Toxicomanias e Alcoolismo 10.11.2015

Pulsão Tóxica e Imagem de Corpo

 

Na noite do dia 10 de novembro, Marisa de Vitta iniciou as atividades do NIPP com a apresentação de um caso de psicose extraordinária, localizando como a toxicomania do sujeito é uma tentativa de tratar algo da psicose, que emerge no real do corpo e de seus pensamentos. Aponta um tratamento possível pela via da obra (através da escrita em um blog) e pela via da imagem do corpo, não sem antes passar pela orientação da significação delirante produzida pelo sujeito. Maria Wilma S.de Faria teceu argumentos clínicos e teóricos à luz do caso e das investigações em torno das toxicomanias. Ela fez um recorte dos significantes Falasser, Corpo, Escabelo e Sinthoma, que vêm sendo objetos de investigação no Campo Freudiano, tomando como referência o texto de Miller, O Inconsciente e o corpo falante.

A discussão em torno do caso suscitou uma pergunta: Para esse sujeito, a obra entraria no estatuto de um escabelo? O escabelo tal como nos ensina Miller, é aquilo sobre o qual o falasser se ergue, sobe, para fazer-se belo. É o pedestal, que lhe permite elevar a si mesmo à dignidade da Coisa.

A toxicomania e o alcoolismo coloca-nos uma questão que é da ordem econômica e libidinal de cada sujeito. Com frequência, temos com o uso de drogas algo que possibilita velar a Inexistência da Relação Sexual, velar a não complementariedade entre os sexos, a disjunção fundamental que toca o ser falante. O recurso ao uso de drogas possibilita aceder a um gozo que não passa pelo corpo do Outro e de forma solitária possibilita um gozo masturbatório. Este gozo, pode-se entende-lo, como aquele que vela o Real.  Miller[1] afirma que o lugar do gozo é por excelência o corpo e nos esclarece que “o gozo Uno, quer dizer gozo sem o Outro”. Estamos em pleno século XXI cada vez mais diante de sujeitos cujos sintomas se apresentam silenciados, sintomas que sob o imperativo de satisfação deixam o sujeito entregue a esse gozo sem sentido, sem limites apresentado na vertente da degradação e da devastação. Essa forma insensata de apresentação do sintoma colocando em evidência o corpo é paradigma das toxicomanias.

Na apresentação ficou evidente a importância da clínica feita por muitos, da ética e da instituição para sustentar casos graves, que nesse caso, contou com a parceria do Freud Cidadão e sua equipe.

ps: imagem de Jean-Michel Basquiat “Philistines” (1982)