Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças 09.09.2015

Le miroir (1936). Paul Delvaux.

Le miroir (1936). Paul Delvaux.

Autora: Suzana Barroso

Na noite do dia 09/09/2015, a conversação do NPPcri foi animada pelo trabalho apresentado por Paula Pimenta, “Corpo especular, corpo topológico e corpo falante: o corpo na obra de Lacan” e por Rogério Paulino, “O corpo no ensino de Lacan”.

Paula contribuiu com pontuações sobre a noção de corpo no percurso lacaniano, destacando formulações muito importantes para a abordagem clínica da criança, cujo corpo é cada vez mais sintomatizado nos tempos de precariedade dos laços sociais.

Rogério fez o relato de fragmentos de caso clínico, um menino que sofria de constipação, um sintoma frequente na infância e que implica a criança, seu corpo e o laço como Outro. Trata-se de uma resposta da criança mediante a angústia desencadeada por uma demanda materna extrema, isto é, daquela mãe que pede tudo e mais um pouco do seu filho. Na maioria das vezes, são pedidos que tem caráter de exigência superegóica, isto é, de imperativos maternos que incidem sobre o corpo do falasser, sem que ele consiga dialetizá-los e dos quais ele não consegue se separar, senão colocando em jogo seu corpo. Por tudo isso a conversa no NPPcri tocou de perto o tema a ser debatido na XIX Jornada da EBP-Minas, a saber, “O que quer a mãe, hoje?”

A partir do relato do processo de análise do menino, pudemos verificar como foi importante a escuta do analista para viabilizar o começo da articulação de fantasias, como resposta ao enigma do desejo do Outro e o encontro de operadores simbólicos do corpo inscrito no circuito da demanda materna.

Do ponto de vista teórico, pudemos avançar na distinção entre o sintoma da criança endereçado ao Outro e o sintoma enquanto acontecimento de corpo, que pode ser lido segundo a lógica do significante sozinho.