Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças 15.04.2015

Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com Crianças 15.04.2015

O significante como suporte da imagem

Se vivemos em um momento de profusão das imagens, com a crença no poder da mesma em detrimento da palavra, a Psicanálise vem nos lembrar de que nenhuma imagem diz nada se está desarticulada da rede significante. Diferentemente do reino animal, a imagem no ser falante não pode ser reduzida aos puros efeitos miméticos. Como afirma Bassols, em “O império das imagens e o gozo do corpo falante”, quando se trata de seu poder de significação a imagem não pode ser desconectada de sua relação com a linguagem e os equívocos provenientes da mesma. Portanto, não há nada de natural na relação do ser falante com a imagem, uma vez que para cada um é fundamental como se construiu e teceu a relação da imagem corporal – i(a) – com os significantes oriundos do Outro na forma do Ideal do Eu – I(A). Há, portanto, uma eficácia simbólica da imagem que nos permite afirmar que seu poder está em permitir a construção de uma significação e de uma consistência.

Essa significação e consistência oferecidas pela imagem se tornam muito evidentes na clinica com crianças. Com elas podemos verificar como a unificação do corpo fragmentado, operada pela imagem, só é possível por meio da identificação à palavra do Outro, que ratifica uma imagem para a criança, bem como os efeitos sobre corpo daquelas que são privadas de uma imagem.

Como uma menina busca construir uma imagem e reconhecer-se no Espelho do Outro materno foi a discussão realizada no NPPcri no dia 15 de abril de 2015, por meio de uma vinheta clínica apresentada por Inês Seabra e comentada por Cristiane Barreto. Como afirma Inês, a menina lança mão de roupas e adereços para produzir-se e procura na palavra do Outro, o analista, o crédito necessário para confirmar essa imagem.

Utilizando como referência o texto de Miller (2005) “Leitura Crítica dos Complexos familiares”, Maria Rita Guimarães participa da discussão, lembrando-nos que se o bebê humano está à princípio indiferente à própria imagem é porque a imagem essencial é a imagem do corpo do Outro e não a do próprio corpo. Nesse sentido, Lacan refuta a teoria do narcisismo primário, indicando que o interesse da criança pelo rosto humano, antes mesmo que seu olhar adquira a coordenação, mostra bem que seu interesse vai além do corpo próprio. “O único narcisismo concebível é o secundário, a saber, o que supõe o eu e sua relação com a imagem”.

Margaret Pires do Couto