Núcleo de Psicanálise e Direito 08.03.16

Lucas Dupin

Lucas Dupin. Onde dormem as palavras? (Performance). 2010

Adolescência e novas identificações

Márcia Mezêncio inicia as atividades do Núcleo Psicanálise e Direito informando que iremos investigar em 2016, a partir do tema da Seção Clínica “Aspectos clínicos da adolescência” na interface com a lei (ou o direito), as identificações oferecidas aos adolescentes na atualidade e suas consequências subjetivas e sociais.

Retoma o que vínhamos trabalhando nos últimos semestres, a saber, as transformações na desordem no simbólico, a valorização do imaginário no mundo contemporâneo e a incidência dessas mudanças sobre a identificação, que se torna pluralizada diante da demissão do Outro e da prevalência do objeto.

Nosso programa de investigação percorrerá, assim, as apresentações do discurso da proteção instituído na legislação brasileira relativa ao adolescente. Medidas socioeducativas, medidas protetivas, prioridade absoluta no acesso aos direitos e outras ficções jurídicas serão pauta de nossos encontros. Estas ficções serão interrogadas a partir de apresentação e estudo de casos e entrevista de orientação psicanalítica.

A questão que orientará esse percurso será: como as novas identificações, que afetam o corpo dos jovens, levam, se o fazem, ao laço social? Como esse laço se faz na atualidade?

Destaca os relatórios de Ricardo Seldes, Blanca Musachi e Susana Dicker que animaram a conversação realizada no VII ENAPOL, cujo tema “A identificação mais além do narcisismo” e que trazem contribuições e questionamentos cruciais para investigarmos, por exemplo, a que servem a série de nomes que indicam as tribos urbanas, as comunidades de gozo e as nomeações sintomáticas. Para adquirir uma identidade, já que falta uma identificação que possibilite uma ancoragem na subjetividade e os recursos para armar um laço com o outro sem referência a um ideal? Outra questão trazida por um dos relatórios é “o que na época atual facilita a passagem ao ato?” “Com qual gozo orientam os sujeitos hoje?”. Sugere, em seguida, que o gozo seja interrrogado. O terceiro relatório segue a orientação dos anteriores e interroga: “Sabemos que toda identificação implica um chamado ao Outro. Mas, se o Outro é inconsistente, em que se transforma a identificação?”.

Outra referência sugerida por Márcia e que nos orientará nesse percurso é a discussão proposta por Jorge Alemán em Soledad: Comum – políticas en Lacan, sobre o qual pode-se ler em:

http://www.pagina12.com.ar/diario/psicologia/9-195791-2012-06-07.html e http://ampblog2006.blogspot.com.br/2016/01/el-neoliberalismo-es-la-primera_22.html

Márcia propõe seguirmos, ao longo do semestre, essas e outras indicações que nos ajudarão a explorar a proposta de trabalho que se sustenta no sintagma “novas identificações”, uma vez que o que se rompe na adolescência e abala as antigas identificações, é o que desencadeia a busca do adolescente por outros modos e referências de identificação.