Núcleo de Psicanálise e Direito

Núcleo de Psicanálise e Direito

“As imagens e o mal-estar na identificação” orienta a investigação do Núcleo de Psicanálise e Direito nesse primeiro semestre, a partir do tema da Seção Clínica – As imagens na clínica e nas instituições: ver, fazer, mostrar.

Em 24/03/2015, tivemos um primeiro encontro, o seminário teórico de abertura por Maria José: Os jovens e a ostentação imaginária. Tomando o funk Ostentação, ela aborda o sentido positivo que o imaginário adquire na psicanálise de orientação lacaniana a partir da não prevalência de nenhum dos registros RSI e da noção de Sinthoma. A partir da concepção do nó borromeano e da não prevalência entre os registros real, imaginário e simbólico Lacan aponta para uma revalorização do Imaginário capaz de reproduzir e localizar o sujeito no mundo. A ascensão do objeto, o apagamento do sujeito do desejo e a ausência de referências simbólicas concorrem para a pluralização dos Nomes do Pai e a ostentação do imaginário. Em nosso núcleo de investigação a adolescência, tomada como objeto de estudo, dá mostras de como a identificação imaginária prevalece como um modo dos adolescentes se mostrarem no mundo contemporâneo. O que se destaca é a importância do imaginário no mundo contemporâneo e a relevância de considerar e tratar suas consequências, pela psicanálise.

Em nosso segundo encontro, em 07/04/2015, pudemos contar com a apresentação da dissertação: O Processo de Identidade e Laço Social com Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Semi-Liberdade, de Marina Colares. A partir da análise de três casos, observamos o modo como as nomeações imaginárias conferem ao processo de identificação desses jovens uma relação depreciada com o outro, sem laço social. As gangues e o tráfico de drogas não possuem um objeto idealizado e agregador e, portanto, não podem oferecer um ideal comum a seus membros na função de um S1. O trabalho proposto por Marina visou a um sentido inverso. O deslocamento das “nomeações” imaginárias às nomeações simbólicas como meio de se produzir laço social. A partir da localização, na história de vida dos adolescentes, de um nome que os ligava a um objeto agregador identificado na relação de amor com o outro.

“A identificação imaginária em Freud e nos tempos da pluralização dos nomes do pai”, foi o título do seminário teórico de 28/04/2015.

Partiu-se de duas constatações: a multiplicidade e riqueza das identificações propostas por Freud e Lacan e um paradoxo em relação ao enfraquecimento das identificações característico da sociedade atual. Haveria uma relação entre o atual debilitamento das identificações simbólicas e a concomitante e acentuada pluralização das identificações imaginárias? Pois o enfraquecimento das identificações convive com a proliferação de outras formas de identificação (especialmente nas comunidades de gozo). O fenômeno contemporâneo é pluralizar as possibilidades de identificação simbólica (enxame S1). Antes a pluralização se dava no imaginário e encontrava efeito unificador em um significante (S1). O caos imaginário se organizava a partir da identificação simbólica. A questão que se coloca, tomando a referência freudiana da “identificação por meio do sintoma” e as formulações de Miller e Laurent em “O Outro que não existe e seus comitês de ética”, é se, no início do século XXI, trata-se de uma pluralização das identificações simbólicas, do enxame, ou se, pelo contrário, de pluralização das identificações imaginárias e vigência de um S1 singular, não mais para todos, mas para cada um.

 Daniel Edmundo