Reportagem no Jornal "O Tempo"

Reportagem no Jornal “O Tempo”

Jornada psicanalítica discute novos arranjos familiares
Encontro que será realizado nos dias 30 e 31, em Belo Horizonte, foca o papel das mães

PUBLICADO EM 22/10/15 – 04h00
Raquel Sodré
A família brasileira está em voga. Há menos de um mês, a Câmara dos Deputados aprovou o Estatuto da Família, que define essa instituição como um homem e uma mulher unidos – possivelmente com filhos. Mas a realidade, em nossos dias, é outra: avós e avôs que criam netos, mães e pais solteiros, casais homoafetivos e outros arranjos são famílias como quaisquer outras. Esses arranjos e, particularmente, o papel da mulher neles serão discutidos na XIX Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise seção Minas Gerais (EBP-MG), realizada nos dias 30 e 31 deste mês.“O conceito de mãe e de família é construído e é relativamente recente, data da Revolução Francesa. Esse conceito funcionou bem até a metade do século XX. A partir de então, com o desenvolvimento da ciência, as mudanças sociais e a entrada da mulher no mercado de trabalho, a família começou a mudar, e o papel da mãe, também”, explica o psiquiatra e psicanalista Sérgio de Campos, diretor da EBP-MG.Os novos tempos trazem, além de outros modelos, uma nova opção para as mulheres: o direito de escolher se querem ou não ser mães – ou gerar um filho, que são coisas diferentes.
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“Surge aí uma divisão importante entre a mãe e a mulher. Por outro lado, o homem deixa de estar no centro da família, no sentido de ser a única voz a definir os destinos dessa família”, pondera o psicanalista.

Nesse contexto, segundo ele, o papel do pai se desfez, e a mulher deve aprender a lidar com esse homem mais frágil que surge no cenário das novas famílias. Entra em jogo, então, a “parentalidade” no lugar da paternidade e da maternidade.

Política. A discussão da EBP-MG chega no momento em que nossos legisladores vão no sentido exatamente oposto ao que será discutido na jornada. Na opinião do diretor da instituição, a definição de “família” do estatuto é uma tentativa, em vão, de resgatar o antigo modelo.

“O ser humano nomeia o que já existe e, a partir dessa nomeação, ele tenta fazer existir aquilo. Essa definição de família me parece ser uma espécie de saudosismo de uma sociedade perdida. É uma espécie de nostalgia do ‘Papai Sabe-Tudo’. Mas o fato de o modelo de família estar escrito na lei não vai impedir as pessoas de ser organizarem de maneiras diversas e contemporâneas”, constata o psicanalista.

Serviço

EBP-MG. A seção mineira da Escola Brasileira de Psicanálise está localizada na rua Felipe dos Santos, 588, no bairro Lourdes, em Belo Horizonte. O telefone para contato é (31) 3292-5776.