Resenha: SEMINÁRIO CLÍNICO: O PARCEIRO-SINTOMA E OS SERES SEXUADOS

Com o convite de transmissão do que é “possível extrair da clínica e da literatura clínica contemporânea algumas das contribuições da psicanálise aos modos (a)sexuados de fazer parceria com o sintoma”, Marcia Rosa Vieira Luchina lotou o auditório da Escola Brasileira de Psicanálise – seção Minas com o “Seminário clínico: o parceiro-sintoma e os seres sexuados”. O evento ocorre um sábado por mês, com linguagem acessível e didática, o que garante o acolhimento do público composto não só de psicanalistas, mas também de outros profissionais interessados no tema.

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No último dia 20 de agosto, Marcia Rosa iniciou as atividades do semestre com o tema: “Finais de análise no horizonte da subjetividade de nossa época”, partindo da questão: como passar do singular ao coletivo, do Um ao comum? Apresentou a noção lacaniana de sintoma como o que há de mais singular, resíduo ineliminável mesmo após a elaboração significante da experiência analítica, o que o torna o verdadeiro parceiro do sujeito. Como pode, então, o singular retornar ao campo do coletivo? Como operar eticamente esse retorno aos laços sociais?

Uma das respostas dadas por Marcia Rosa foi pela via do dispositivo do Passe, que possibilita esse trajeto em uma comunidade analítica, no campo político – em uma política do sintoma. Estendendo-a a outros espaços do social,  propõe, tomando como referência o psicanalista argentino Luiz Tudanca, que o sintoma, o que há de mais “impróprio”, se dobre ao comum da sociedade, formando uma comunidade que porta a singularidade de cada um, com buracos e vazios.

Para conceber a psicanálise no horizonte da subjetividade de nossa época propõe, com Lacan, escutar os chistes, cuja estrutura pressupõe a experiência comum do campo da linguagem, o lugar de um Outro, onde o sentido compartilhado se produz. Mostrando em ato os efeitos do chiste como novo modo de laço social, Marcia Rosa apresentou charges contemporâneas com o tema da psicanálise, levando a plateia às gargalhadas.

Mariana Furtado Vidigal