Seminário de Leituras Lacanianas (Resenha)

Resenha da Disciplina do Comentário do Seminário de Jacques-Alain Miller – Silet

Na Disciplina do Comentário do Seminário Silet do dia 14/06, foi abordado o tema da atribuição da causa conexa à cadeia significante; do gozo e do supereu como figura feroz e obscena, apanágios do imaginário; e, por fim, a pulsão articulada ao simbólico. Miller argumenta que Lacan em “Situação da psicanálise” reduz a pulsão ao simbólico. Pode-se dizer que quando há falha na cadeia significante, emergem os fenômenos clínicos como implicações do supereu. A partir de uma vinheta clínica, discorreu-se sobre o acting out como aquilo que falha no simbólico e, por consequência, é projetado no imaginário como pulsão exibicionista.

Se antes, a intenção agressiva existia em virtude do registro imaginário e a intenção do desejo de reconhecimento era em razão do registro simbólico, Lacan substitui ambas as intenções pelo desejo de falo, numa relação do sujeito ao objeto. Assim, a introdução do falo, como significante do desejo do Outro, promove uma reescritura do estádio do espelho, na medida em que – como “significante imaginário” – ele rearticula o imaginário e o simbólico, como uma dobradiça, situando-o na fronteira entre os dois registros. Pode-se dizer que o falo como Ersatz, captura o desejo como objeto central da dialética analítica, promovendo a equivalência e as substituições que acarretam as satisfações. Em síntese, o falo desempenha o papel do gozo, como condensador de gozo, enquanto o desejo faz a função da pulsão.

Retomando o postulado freudiano de que Ananké e Eros movem o mundo, a orientação lacaniana de Miller ressalta que a necessidade e o amor ocasionam duas formas de satisfações distintas, contudo, na falta de uma, a outra pode substituí-la de maneira equivalente. Então, na medida em que a demanda de satisfação pelo dom do amor é frustrada, o falasser busca compensação no objeto real pela satisfação da necessidade. Portanto, é na virada da satisfação que a pulsão imprime sua drang com toda sua energia. A pulsão se endereça ao objeto real como parte do objeto simbólico. O seio, e depois seus equivalentes e seus substitutos, como objeto real, apenas se tornam de interesse do falasser na satisfação da necessidade na medida em que é extraído do Outro como simbólico. A partir de algumas vinhetas clínicas, verifica-se que essa a lógica psicanalítica pode explicar grande parte dos fenômenos clínicos ligados à pulsão oral, tais como compulsão alimentar, bulimia, alcoolismo, dependência química, entre outros.

Continuaremos o Seminário de Leitura e Disciplina do Comentário do Silet, Seminário de Jacques-Alain Miller no dia 28/06, entre 20:00 hs e 22:00 hs, no Instituto Raul Soares. Até lá.

Cordialmente,

Sérgio de Campos.